Tempo
O segundo, o intervalo e o ritmo
Um horário localiza um evento; uma duração separa dois eventos; uma frequência descreve repetição. O mesmo relógio pode participar de perguntas diferentes.

“Às dez horas”, “durante dez segundos” e “dez vezes por segundo” usam a ideia de tempo de maneiras diferentes. A primeira expressão localiza um evento em uma escala e depende do contexto do horário. A segunda descreve um intervalo. A terceira informa um ritmo. Confundir essas três leituras pode produzir uma conta correta para a pergunta errada.
Uma definição não é o mostrador do relógio
O segundo do Sistema Internacional de Unidades é definido a partir de uma frequência específica da transição hiperfina do estado fundamental do átomo de césio-133, fixada em 9 192 631 770 Hz. A definição fornece uma referência; não significa que todo relógio contenha césio ou realize essa referência diretamente.
Um relógio comum apresenta indicações obtidas por seu próprio mecanismo. O caminho entre a definição da unidade e uma indicação utilizável envolve realizações e comparações. Por isso, a quantidade de casas decimais no visor não informa, sozinha, a qualidade de uma duração medida.
Transformar duração sem mudar o intervalo
Em um exemplo hipotético, um registro indica 2 min e 30 s. Como um minuto corresponde a 60 segundos, a duração é 2 × 60 s + 30 s = 150 s. Escrever 2,30 min produziria outra duração: 138 s. A vírgula decimal não funciona como o separador entre minutos e segundos.
A mesma atenção vale para horas decimais. Meia hora é 0,5 h, equivalente a 30 min. Uma indicação de 1,25 h representa 1 h e 15 min. Primeiro identifique a notação usada; depois converta os valores.
Contar pulsos pede uma janela definida
Suponha um sinal ideal que repita 50 ciclos completos a cada segundo. Sua frequência é 50 Hz, e o período de cada ciclo é 1/50 s, ou 0,02 s. Esses números foram escolhidos para tornar a relação visível; não descrevem um sinal que tenha sido medido.
Outra experiência hipotética seria registrar 30 ciclos completos numa janela de 6 s. A frequência média calculada seria 5 Hz. Para interpretar uma contagem real, seria necessário saber como o início e o fim da janela foram definidos e se a repetição permaneceu estável. Contar eventos não periódicos também pode produzir uma taxa, sem que isso transforme o processo num movimento periódico.
Separar o que mudou
Se dois relógios mostram horários diferentes, isso não demonstra imediatamente que medem intervalos de maneiras diferentes. Pode existir uma diferença de acerto do horário. Inversamente, relógios que coincidem num instante podem se afastar depois se seus ritmos forem distintos.
Ao comparar registros, separe o instante inicial, a duração observada e o comportamento ao longo do intervalo. No caso de uma cronometragem manual, a escolha dos eventos de início e término faz parte do procedimento. Trocar o mostrador por outro mais detalhado não resolve uma definição ambígua desses eventos.
Conferir o exemplo
Duas contas, duas perguntas
Exemplos hipotéticos; as conversões usam relações definidas entre as unidades.
| Dado | Cálculo | Resultado |
|---|---|---|
| 2 min e 30 s | 2 × 60 + 30 | 150 s |
| 2,30 min | 2,30 × 60 | 138 s |
| 50 ciclos por segundo, sinal ideal | Período = 1 ÷ 50 | 0,02 s por ciclo |
Frequência e período são inversos para o sinal periódico descrito. Uma taxa média de eventos não comprova periodicidade.
Antes de converter um valor de tempo, identifique se ele representa horário, duração ou repetição.
Fontes desta leitura
Definições atuais, unidades derivadas, prefixos e escrita de valores. Documento sob CC BY 4.0; os exemplos deste site são criações editoriais e não reproduzem experimentos do BIPM.
Definição do segundo, relação entre frequência e ciclos por segundo, referências de tempo.